domingo, dezembro 11

Profunda escuridão

 Tudo a minha volta era branco, frio e sem vida... Até mesmo eu. Minha vontade era gritar, sair correndo por aquele universo gelado. Mas apenas chorava, como se lágrimas fossem uma solução.
Eu era como os mórbidos reflexos do gelo. Eu não devia estar ali, eu não era dali. Eu corri, corri, mas sem direção, tudo a minha volta era igual, tudo era gelo... Esse lugar não é feito de sonhos, é feito de tristezas, e aqui me prendi eternamente, como um refúgio só meu... Mas está na hora de sair...
  Mesmo que eu corra e tente voltar está tarde demais... Quanto mais eu procuro uma saída mais o gelo sob meus pés começa a rachar. Eu corro, eu me desespero, eu preciso de uma solução... O gelo irá se romper...
O gelo se rompeu... E eu caí naquela água congelada que anestesiou todo o meu corpo e que me empurrava para baixo, me fazia afundar...  Eu estava me perdendo no meio do gelo, no meio da escuridão e da tristeza. Eu estava morrendo aos poucos, se já não estava morta... Eu estava cada vez mais longe da superfície, mais longe de mim, mais longe da vida que há tanto deixei de viver...Só me pergunto por que quando eu finalmente decidi pelo certo tudo deu errado... Ou talvez eu realmente devesse viver na solidão fria... Devesse aceitar que meu destino era afundar naquele lago e permanecer naquele paraíso gelado por toda e eternidade. Paraíso... O paraíso de tristezas e pesadelos, o paraíso frio para onde os solitários pensadores terão seu fim... Onde eu tive meu fim... Nas profundezas do lago de gelo... Nas profundezas sem fim da escuridão.

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