domingo, janeiro 23

Enigma de uma noite sombria

Acelerei meus passos e fechei as mãos em punhos, eu estava com medo. A rua estava mal iluminada e nenhuma alma viva passava por ali. Me assustei com o ruído de uma folha seca que o vento arrastou. O uivo do vento era quase um sussurro em meus ouvidos. Continuei andando, vislumbrando a avenida movimentada 4 quarteirões a frente. Apesar do caminho escuro conseguia ver um poste iluminando adiante. Vez ou outra checava para ver se não estava sendo seguida. A minha direita tinha um muro extenso, de tijolos expostos, do parque da cidade, de onde algumas árvores se debruçavam, estendendo seus galhos para o passeio. Distraí-me observando aqueles galhos secos dos quais as folhas vez ou outra caiam, quando ouvi o vento sussurrar-me coisas que eu não entendia.
Jurei ter ouvido o vento dizer meu nome. Uma onda de calor percorreu todo o meu corpo.  Passei os olhos ao redor procurando mais alguém, nada encontrei. Quando olhei novamente para as árvores com seus galhos esguios na noite e me deparei com aqueles olhos negros e sombrios me fitando. Um gato, no alto do muro. Senti meu corpo arrepiar, mas continuei olhando aqueles olhos. Era apenas um gato, mas tive vontade de sair correndo. E num movimento rápido para correr dali esbarrei naqueles ombros largos bem na minha frente, que surgiram do nada. Olhei para cima, assustada, sem saber se me desculpava ou se gritava por socorro e me deparei com aquela figura tão sombria quanto a noite. Era como num sonho que tentamos correr e não movemos um único centímetro. Num movimento rápido e sutil aquela figura sombria me agarrou pelos braços, quando, inclinando-se, fez com que um lampejo de luz iluminasse sua face.
Atordoada, meu coração rasgava o peito de tão forte que batia. Eu sabia que devia sair dali imediatamente, mas não sai. Apenas vi seus olhos dourados, incrivelmente dourados como jamais vi antes. E da mesma forma que aquela figura sombria surgiu, ela desapareceu, num movimento tão rápido que não entendia mais o que estava acontecendo. Tudo ficou silencioso como se nada tivesse acontecido. Não sabia o que houve. Como num susto acordei com meu despertador tocando e vi que tudo não passou de um sonho.


2 comentários:

  1. Gosto de gente que escreve, e vc escreve muito bem. Vc parece boa para escrever contos sobrenaturais ou de suspense, talvez por gostar desse tipo de leitura. Sim, eu tb li a saga crepúsculo, rs . Confesso que hj com 23 anos acho tudo uma grande besteira, mas sou humana e curiosa, sou capaz de devorar crepúsculo e Harry Potter tanto quanto Machado de Assis.

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  2. oiie õ/
    bia, adorei seu texto, escreve mais qe voce tem talento viu amiga *-*
    te amo beest s2

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